Pra se fazer poesia, não se precisa necessariamente de uma línguagem rebuscada, mas sim de criatividade, emoção e acima de tudo alma de poeta. E isso o Zé da Luz, poeta paraibano do início do século passado, tem e muito.Leia e me diga: Concordas ou não?
Ai! Se sêsse!... (Zé da Luz 1904-1965)
Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntim nós dois vivesse!
Se juntim nós dois morasse
Se juntim nós dois drumisse;
Se juntim nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!
sábado, 20 de fevereiro de 2010
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Concordo sim, como não concordar? Desde a primeira vez que vi esse texto, há bastante tempo, achei tão singelo e ao mesmo tempo tão encantador...
ResponderExcluirViva Zé da Luz, conseguiu alumiar o céu de muita gente... rs.
Abraços*